Metamorfose
No meu peito raízes prenhas de silêncios que se alastram. Trilhas de formigas, insetos rastejantes, miudezas que se arrastam em ausência de promessas. Latências de hera, umidades de musgo, inquietudes. No meu peito, algo se amalgama e espera, mas não pulsa. No meu peito. O resto é vazio. 
"Balada de Outono" - Jorge Garcia
Escrito por Míriam Monteiro às 21h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Volto...

"Sem Destino" - Pedro Flávio
É quase sem jeito, que retorno.Volto a pisar esse chão, com o cuidado que exigem todas as coisas pouco conhecidas. Respiro, aqui, os perfumes do que já nem sei se sou. Perdi um pouco de mim. A Poesia é frágil flor: qualquer vento a despetala. Porém, o mesmo vento que a despe, também espalha o seu pólen. E aqui estamos, novamente, de mãos dadas, eu e a poesia. Pedaços resgatados de minha alma. Ainda há alguma estranheza, quando nos fitamos, mas, eu e ela nos reconhecemos como partes de um mesmo todo,ambas em carne viva. Eu a concebo, ela me conduz, ainda que à revelia. Eu pedra, ela pluma.
Presságio
Tateio presságios e rabisco paisagens. Nada denuncio - tudo oculto nas frestas da minha alma inquieta. No olhar crepuscular, na respiração contida, murmuram melancolias. Na minha pele, voláteis delírios, delitos. Reinvento sendas. Pássaros à míngua.

Imagem da Net - Desconheço Título e Autor
Escrito por Míriam Monteiro às 22h35
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Inútil
Enganei o tempo, congelei a retina, refiz caminhos, desmistifiquei as noites, entornei venenos, crucifiquei, ressuscitei auroras, inaugurei silêncios, desabitei manhãs, afoguei sentidos, instaurei o caos, voltei à ordem, vesti avessos, despi esperas, reinventei vésperas, esqueci um tanto, desacreditei, recompus. Inútil. Intacto, permaneces.

"Dreams..." - Marcyn Klepacki
Escrito por Míriam Monteiro às 17h09
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Delinqüência
Crava a tua indecente garra, na pequenêz dos meus segredos em brasa. Bebe o prazer na taça do meu ventre e traduz, em signos e dentes, a fúria da tua fome fremente. Planta tuas sementes de tempestades e ventos: pulsa, rebenta e me arrebata. Eu liqüefaço, transbordo e tu me reinventas.

"Depois de Mim" - Helder Vasconcelos
Escrito por Míriam Monteiro às 21h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Sensual
Arrasto-me serpente sinuosa de visgos e carícias. Lenta e lânguida vasculhando sendas. Enredo-me, enrosco-me, permeio. Provoco e lúbrica, encontro. Transbordo. Líquida, lasciva, escorro...

"Nu 91" - Robert Farnham
Escrito por Míriam Monteiro às 21h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Apelo
Mata minha fome de perder-me em tua boca, confundir-me à tua carne, misturar-me ao teu suor. Sacia a sede da tua língua entre os meus dentes e compõe na minha pele, versos e arrepios. Enreda os meus sentidos, faz incertos, os meus rumos. Crava, na urgência da minha carne, os teus dentes e tatua, em mim, os teus sinais.

"Femme Assised" - Andrzej Malinowsky
Escrito por Míriam Monteiro às 22h07
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Da Inutilidade do Poema
Escrevo como o náufrago, que lança ao mar um pedido de socorro sem aceno ou resposta Escrevo como quem ora a um deus em quem não crê, como o cego que adivinha cores sem as ter. Escrevo como quem tece invisíveis horas, escrevo como quem chora. Inútil, esse meu dedilhar sentimentos. Nenhuma palavra me cura. Nenhuma poesia me resgata ou salva.

"The Pillow Book" - 1996
Escrito por Míriam Monteiro às 20h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Secreta Urdidura
São tecidos em segredo, os meus dias. Frágil urdidura no avesso das horas, na contramão dos segundos. De secretas tramas, são feitos os meus dias. Trêmula e efêmera teia de esperas, frágil tecido de vésperas. A seda dos meus dias tece casulos de improváveis auroras.

"Vergaenglich" - Ralf Greiner
Escrito por Míriam Monteiro às 20h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Fractal Poema
Anjo de asas de cera, de trôpegos e indecisos passos. Anjo de estilhaços, fractal ser de cacos... Rotas asas, rotas rendas remendadas e, ainda assim, Senhor das rotas que traço, Senhor dos meus descompassos. Anjo das minhas horas desvairadas. Anjo avesso, Anjo de mim. Asas de sonho, asas de ar desenhadas.

"Sempre..." - Alba Luna
Escrito por Míriam Monteiro às 18h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Poema de Pedra
Palavra: Pedra que tento lapidar, cinzelar, moldar aos sentimentos todos. Rebelde, dura, bruta. Etérea, escapa. Não se deixa...

André Coelho
Escrito por Míriam Monteiro às 16h35
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|