Meu Porto


O desejo...
A porta
escancarada
à espreita,
à espera
dos passos
que nunca...
E se vierem?
Como safar-me
da fúria
da febre
dessas estranhas
entranhas
que, teimosas,
se emaranham
às minhas?

Nude - Alain Dussain



 Escrito por Gwen às 21h17 [   ] [ envie esta mensagem ]




Esse vazio em mim...
Busco
algo que espante
a poeira do tédio
e desperte os sentidos...
Que aguce o
antigo gosto pela poesia...
Não sou artífice da palavra.
Quisera eu
ter o dom de brincar assim com elas:
uma inocência quase infantil
para garimpá-las,
alma de escultor
para molda-las
aos sentimentos todos...
Eu queria um olhar de inocência,
de perdida pureza.
Um olhar para
além desse mundo,
dessa coisa cotidiana
que empoeira os olhos,
petrifica sentimentos

Foto - Marko



 Escrito por Gwen às 19h50 [   ] [ envie esta mensagem ]




Amanhece claro
o dia...
Belo e inútil,
esse amanhecer.
Só mais um,
numa quase
infinita
seqüência
de tantos.
Mais um dia...
Mariposa
de tênues asas.
Crisálida
tecendo esperas.



 Escrito por Gwen às 20h06 [   ] [ envie esta mensagem ]




Outono...
A vida se renova,
(dizem...)
Um azul quase irreal
colore as manhãs.
A vida corre,
se renova, sim,
mas só lá fora.
Do alto da minha janela
vejo os movimentos todos.
Tolos movimentos.
Inúteis movimentos.
Aqui dentro, a estação é outra.
O tempo perpetuado em teias,
prateadas  tristes teias.
Um tempo que permanece sempre.
Estático.
Sem cor.
Congelado na retina.

Foto - Spot Light - Mario Pereira



 Escrito por Gwen às 19h39 [   ] [ envie esta mensagem ]




Ambigüidade

Meu canto é o uivo de um lobo ferido
e do meu coração falta o melhor pedaço.
O olho direito vê sangrar a alma
e o outro, permanece inteiro e teima paisagens.
A saliva é um mel, porém amargo
e o sorriso é um largo rasgo, ferindo a face.
As mãos, o contorno triste
de um gesto lento, apenas simulado.
Meus pés já desenharam mil atalhos.
Ah! ... Os atalhos...

"Adeus...Até a primavera" - João Gonçalves



 Escrito por Gwen às 18h35 [   ] [ envie esta mensagem ]




Concerto Para Flauta e Tristeza

A fina sílaba
fere.
Queima.
Teima
essa dor
em sustenido
suspiro.
Dó maior.

                               Foto - Anne Geddes



 Escrito por Gwen às 20h19 [   ] [ envie esta mensagem ]




A tênue
fronteira
entre
o ser
e o não,
roço-a
com
medrosas
asas...
Fragmentos
de perdida
poesia.

 



 Escrito por Gwen às 22h41 [   ] [ envie esta mensagem ]




Metáfora

Ser palavra...
(Gesto
mais que
sutil)
correndo
livre
pelas bocas
pelas veias...
Asas:
Metáfora
mais que perfeita
da leveza
que busco
(mesmo
nas duras
pedras
do chão)

"Sinfonia" - Eduardo e Ana Elisa Salvatore



 Escrito por Gwen às 20h39 [   ] [ envie esta mensagem ]




Derrubar
um a um
os soldados
das vigias
Desatar
nó a nó
todos os laços
Ser leve
Vela
grávida de vento...
Os arrepios
do desejo
traçando
delicadas
rendas
na minha
pele.

 



 Escrito por Gwen às 19h23 [   ] [ envie esta mensagem ]




Guardo
a dor
dos silêncios.
Só a mim
cabe
sabê-los.
Contê-los.
Mastiga
sentimentos
a poesia...



 Escrito por Gwen às 20h02 [   ] [ envie esta mensagem ]




Silêncio

        O silêncio me espreita. O vazio de todas as coisas me olha... Um total e abosuto vazio.
        Esse esperar que não descansa. Mas, esperar o quê? E para quê? Hoje, mais do que sempre, uma total ausência de azuis ou de brilho de estrelas ou de Poesia. Só esse imenso e total vazio.
        A Lua me espreita pela fresta da janela. Mas, eu não queria esse silêncio. Eu não queria estar só. E não queria estar aqui.



 Escrito por Gwen às 22h11 [   ] [ envie esta mensagem ]




Recolher
cada
pedaço
do teu
silêncio
e construir
uma
imensa
frase
de
Amor.



 Escrito por Gwen às 22h47 [   ] [ envie esta mensagem ]




O Homem da Linha

 

  Há muito tempo, assisti a um filme maravilhoso - O Homem da Linha . Nenhum diálogo havia e, na trama, somente dois personagens.

 

    O Homem:

    Simples e completamente só, vivia numa casa igualmente simples, no meio do nada. Não havia nada a fazer além de cuidar de um pequeno pomar e observar, da varanda, as horas do dia e os movimentos da natureza.A única alegria era esperar a passagem do trem  ( sua casa ficava à margem da linha) , ouvir o apito e depois observar a máquina afastar-se. Era uma alegria rara, esporádica, pois o trem, ali, só raramente passava. Ás vezes, o trem parava e deixava uma caixa com mantimentos, para depois ir-se para voltar não se sabia ao certo quando.

 

    A Mulher:

    Linda, bem cuidada, cheirando a flores e riquezas que ele não conhecia. Elegantemente clara como a luz da manhã. Um sorriso que o fazia lembrar de todas as luzes de sua infância.

 

    Num dia de intenso inverno, o Homem, perdido no meio do nada, no meio do branco absurdo e monótono que a neve produzira, vê parar o trem e dele, inexplicavelmente, descer a Mulher que era, sem dúvida, a mais bela visão que seus olhos jamais tinham visto.

    O trem parte, como sempre o fizera e como haveria de fazer pelo resto da vida pequena e simples do Homem. A Mulher, parada ao rés da linha, somente o observa, um olhar enigmático, que se poderia definir "vazio",não fosse a intensidade do brilho daquele azul que emanava dela. O Homem nada diz. Num gesto simples, abre a porta da cabana e a Mulher entra. Ele a ajuda a depor a pequena bagagem, vai até o fogão e prepara um café, que serve, depois, numa caneca grande, de metal rude, pintada de verde.

    Ele transpira rudeza. As mãos são grossas e o rosto maltratado. Nada há de belo nele. Mas os olhos transmitem tanta doçura, que a Mulher se perde neles.

    O tempo passa . Ele continua sua vida simples, de coisas simples e gestos pequenos. Mas, agora se compraz em colher as flores e os frutos que cada estação oferece, para presentea-los à Mulher feita de Luz. Ela aprende com ele, as cores de cada estação. Ela aprende com ele a simplicidade dos gestos e a beleza que há nas coisas pequenas e simples. Ela se despe dos tarjes ricos, mas não da luz que emana de seus olhos, muito mais intensa e azul, então.

    Novamente, o Inverno. Como sempre, ele acorda e serve a ela o café, na mesma caneca rude. Ela somente o olha e ele compreende. Como sempre, não se falam. Nunca trocaram sequer uma palavra, pois todas eram inúteis ao sentimento que partilhavam.

    Ela se levanta, arruma novamente a pequena bagagem, no que ele a auxilia. Os gestos são pequenos e rudes nele. A tristeza nos olhos, imensa. O trem chega e ela parte. Ela somente o olha com os olhos azuis e tristes e parte. Inexplicavelmente como chegou.

    Ele acompanha o trem com olhos de tristeza, até que se perca em meio à paisagem branca, à neblina da manhã. Então, entra em sua cabana, coloca cuidadosamente a caneca na pia e se deita. Parece um grande feto, encolhido numa dor que não cabe em seu coração. Uma dor que é grande demais para o seu peito, que aprendeu a alegria do amor.

    E assim ele fica. Imóvel. Perdido de sonhos e de saudade. Ao seu redor, na cama simples, tosca, começa a crescer a hera. A hera da solidão, do amor, perdido, da saudade imensurável e dos sonhos que sabia que nunca mais teria. A brutal consciência do saber que nada mais seria ou teria o azul daqueles olhos. Ele, simplesmente, deixa-se ficar, até que a hera o cubra totalmente, num sono que se adivinha sem sonhos. Sem azul.

 

 

"Entre As Manhãs Que Sofremos" - Adriana Oliveira 



 Escrito por Gwen às 23h51 [   ] [ envie esta mensagem ]




Aqui, pedaços de mim. Nem sempre alegres , nem sempre tristes. às vezes belos e noutras nem tanto, mas, pedaços de mim. Cenas que pincelo com as cores todas dos sentimentos que me habitam. Um olhar, que nem precisa ser tão atento, e será possível me ver. Assim, como quero me mostrar: despida de qualquer máscara, despida de quaisquer disfarces. Uma coisa é certa: aqui, não vou só. Uma presença comigo. Doce e amada presença, pedaço de mim. O melhor de mim. Senhor do Meu Pensamento, Senhor das Minhas Horas Todas. aquele que divide e dividirá sempre, passos comigo. Para além do Tempo e das (im) possibilidades todas, nossos passos. Luz em mim. O Azul e as Estrelas que há em mim. Para Você, amor meu, esse pequeno presente, um gesto de amor.  Para Você, mais esse tanto de mim.


Ilumicorpus - Teresa Fonseca



 Escrito por Gwen às 23h50 [   ] [ envie esta mensagem ]



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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 36 a 45 anos, Coleções e miniaturas, Livros, Desenho, Música e a Poesia, sempre...



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