A minha poesia nasce sofrida, rasgada, ferindo o peito e as palavras. Nasce quase à revelia. A minha poesia tem farpas, rasga a alma. Ácida, corroi entranhas. Nunca é mansa a minha palavra e mastiga os meus sentimentos todos. Não sabe ser leve, nada sabe de plumas. Minha palavra só sabe das penas. É pedra, a minha poesia. Nasce bruta. Dilacera.
Rabisca em mim tuas sendas, com o traço perfeito dos teus dedos. Com mãos firmes, redesenha os meus espaços. Refaz a urdidura das minhas veias com tua febre, e emaranha os meus sentidos com teu toque. Estampa na minha pele -tua posse- uma delicada trama de arrepios. Com um beijo, pinga uma estrela no cume dos meus seios e ilumina o vazio das minhas noites de esperar-te.
A minha vida estreita, espreita esperas. Respira... Suspira Inspira Retém. Refém dos teus passos, minha alma já não voa, caminha. Lenta, arrasta horas e asas.