Pois veio um anjo (torto como o de Drummond) e, com trombetas anunciou-te à minha alma em tempestade. Não um suave anjo, de olhos de paz e sereno riso, mas um anjo com faces entalhadas em pedra... Não um anjo trajando angelicais vestes mas, um anjo carregando, na trama de seus tecidos, o pó dos meus dias de espera. Um anjo torto e forte, foi o que te anunciou à minha alma. Um anjo de asas partidas, que teus sonhos de azul, criaram para buscar-me.

"Annoucing Lightnings" - Tony Gutierrez
Escrito por Míriam Monteiro às 20h48
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Vou colecionando silêncios e pedaços esquecidos de sorrisos. Tento guardar a ternura de gestos antigos, um brilho de lua e estrelas gotejadas dos olhos. Vou aprisionando horas e esperas, vou polindo pedras, inventando crenças. Sigo teimando alegrias, que construo aos poucos e com cuidado. Vou fotografando, na memória da retina, todas as paisagens que teus olhos não puderam conhecer. E, quando, enfim, minha alma alçar vôo, hei de depositar aos teus pés, todas essas prendas: a urdidura dos meus dias, as minhas horas mais serenas, o meu sorriso mais manso, o meu carinho mais puro. Hei de esquecer a espera. Hás de esquecer o tempo. E seremos, então, o que o tempo não deixou, O que a vida não quis ver.

Foto - desconheço Título e Autor
Escrito por Míriam Monteiro às 20h29
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A saudade morde, fere, arranha e arranca pedaços da minha paz. Crava os dentes, me deixa em carne viva, desenhando cicatrizes e fazendo sangrar palavras. A saudade me cerca do perfume de inúteis tardes. Mistura-se ao meu hálito, essa saudade, e o gosto do teu beijo é o sabor que resta. A saudade corrompe as minhas horas, e apaga o meu Norte. A saudade tem tuas cores e o teu cheiro. Ah... essa saudade antiga, que não dorme e teima em fazer poesia.

"Saudade" - Drica Del Nero
Escrito por Míriam Monteiro às 09h32
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