Deixa que a minha boca navegue por tua pele, naufrague os meus sentidos, sacie a minha fome. Deixa que eu infle as velas, que me perca nos teus mares, que atraque no teu peito e lance âncoras no teu desejo. Deixa-me ficar assim, serena e encontrada nos meus rumos, perdida dos meus sentidos. Deixa-me assim, diluída no teu abraço, saciada da tua boca, transbordada e plena das tuas ânsias. Os teus humores guardados em mim...

"Embraced" - Cheryl Hanhy
Escrito por Míriam Monteiro às 12h50
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A palavra recusa-se. Foge, arredia, dos meus sentimentos confusos. Tal como o mar, que guarda a melodia de muitos rios, minha palavra guarda a melodia das minhas esperas. Melodia de horas que não se traduzem. Arredia, a palavra que me rasga a garganta, fere a alma, corrói esperanças. Mas, eis que, num lapso, vem em torrente, caudalosa feito rio. Flor que desabrocha à revelia E desnuda minha alma, abranda a minha fome de poesia. Não sacia, só acalma.

Water Music - Carsta Amrehn
Escrito por Míriam Monteiro às 11h56
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Perdido em mim, aquele riso sonoro e solto. Perdi o modo suave dos gestos, a leveza de dedos tocando a pele. Desaprendi como se olha doce, como se tocam sonhos, como se lustram esperanças. Desaprendi o compasso, a dança. Esqueci a magia da chuva, os sonhos orvalhados pela manhã, nos teus braços. Desaprendi as luzes. Perdi o passo e o rumo. Quebrei as bússolas. Já não sei voltar a mim. Então, vem depressa. Liberta meus olhos dessa falta. Faz do meu desejo, poesia. Planta versos em mim.

Foto - Desconheço título e autor
Escrito por Míriam Monteiro às 20h12
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