Deixar teu nome bailar entre os meus lábios. Envolve-lo na minha saliva, sorvendo dele toda doçura, todo amargor. Sugar, do teu nome, bem devagar, todo mel e todo veneno, até que reste, dele, só o sabor de fruta madura. Teu nome entre os meus lábios, dançando, voluteando na minha língua, até que me traduza, e, nesse bailado, eu te decifre. Guardar teu nome entre meus dentes. Deixar que teu nome queime meus lábios como segredos partilhados num beijo. Imprimir, na minha pele, o teu nome, mistura-lo ao meu sabor, ao meu suor, até reter, em mim, o teu sortilégio.

"In The Dark" - Haleh Bryan
Escrito por Míriam Monteiro às 21h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
É minha, a sede que te seca os lábios. É o meu ar que te falta e sufoca. São teus, os seixos do meu rio, são minhas, as marés que te alagam. É a melodia das minhas águas, esse teu riso. É a tua palavra não dita, a minha mordaça. É teu, o nome que me cala, é minha, a fome que te abrasa. É meu suor, o sal que te satura, é o teu sabor, esse doce da minha saliva. A saudade que te mora, também me faz cativa. São tantos os teus sinais pelo meu corpo, pelos meus dias... Tão profundas as marcas dos meus pés no teu caminho.

"If You Could Only See" - Haleh Bryan
Escrito por Míriam Monteiro às 20h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Toca-me com tua urgência. Esculpe, em mim, o teu desejo, essa tua fome, que bem conheço. Eu me faço ampla, plena de sentidos, para que me decifres inteira. Faço-me pequena, para que possas conter-me. E, nesse teu toque, viro poema, sussurrando as palavras que nunca, antes, entreguei-te. Em troca, quero tua delinqüência, teu desacato aos pudores. Quero toda a vastidão do teu sentir. Quero tua sede, fogo, fagulha, um poema de luz - teu desejo- trespassando-me, desnudando-me, traduzindo-me inteira.
"Resting Nude" - Ryan McIntochrec
Escrito por Míriam Monteiro às 19h03
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Vem... Rabisca, na minha pele, arabescos de arrepios. Esculpe em mim, paisagens novas. Arrepia os meus sentidos, desgoverna os meus rumos, inaugura novas sendas. Desvenda os meus segredos. Arrebenta-me em floradas novas, em perfumes de ânsia e desejo. Arrebata os meus pudores. Despe-me dessa casca, casulo de segredos em que me guardo. Despe-te da distância em que te guardas dos teus medos. Me faz presa. Apascenta minhas ânsias. Cala, com tua boca, o meu grito. Faz brotar teus rios, de caudalosas nascentes. Inunda-me, com tuas vazantes e torrentes. Inunda-me que tenho sede.

"Nu" - Robert Farnham
Escrito por Míriam Monteiro às 17h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Eis que te entrego meus olhos de paisagens cinzas e sonhos baços. Toma minhas mãos, esvaziadas de gestos, rotas e inúteis asas que ora te entrego. Eu te entrego a minha boca, emudecida de sorrisos, nau de palavras naufragadas. Leva a minha alma, lavada dos amanhãs que não virão, despida das esperas, com sede de asas e sonhos de terra... Eis que te entrego esse poema sussurrado, um poema na voz do vento. Esse desalento cantado, vazio de esperanças e recomeços.

"Eros e Psiche" - Antonio Canova
Escrito por Míriam Monteiro às 19h45
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|