Revestirei meus olhos de todos os azuis, resgatarei as cores presas no prisma, reinventarei paisagens. Transmutarei as vestes em andrajos, com as quais recobri a pele da minha alma, e me enfeitarei de luzes esquecidas. Hei de perfumar-me de flores. Roubarei dos pássaros, a delicadeza do vôo, a sutileza de asas, a leveza da brisa. Reinventarei um brilho nos olhos, uma sonoridade de risos, uma ternura de mãos. Espalharei pétalas pelo caminho, recobrirei o leito de flores, acalmarei a fúria dos meus mares. Se disseres que vens.

"Faz-me Sonhar!" - Hugo Amador
Escrito por Míriam Monteiro às 18h13
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Não te negues aos meus dedos nem te faças improvável ao meu toque. Pois o meu corpo grita por teus contornos e minhas águas anseiam quebrar-se em ondas nos teus rochedos. O sopro do sussurrar teu nome, atrai os pássaros da saudade para o meu peito. Tua ausência atravessa a noite em cada hora e desperta, sempre, alerta e inteira fazendo-me em estilhaços. Sou a eterna espera, a eterna véspera do teu abraço, do descompasso do peito. E sou tua inteira, mesmo antes de saber-te. Sou tua em detalhes mínimos, nas latências nas grandezas, nos desvarios e indecências. Então, vem... Despe o medo, arranca a venda dos olhos da memória. Volta os passos, apaga o tempo. Reinventa o sonho e faz amanhecer o meu olhar.

"Anjo Caído" - Vitor Melo
Escrito por Míriam Monteiro às 21h20
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Vem, antes que meus sonhos adormeçam e minhas mãos desaprendam os gestos de conceber-te em mim. Vem, antes que a tarde se faça e eu me esqueça de sonhar manhãs Vem, que a noite já chega e, ao cerrar os olhos, temo apagar estrelas. Vem, que ainda sou frágil e pequena, vem antes que eu cresça e me perca em medos. Vem, que me faço prenhe e plena de versos, de flores e suavidades. Vem, que ainda trago, no peito, promessas de asas. Então vem e pousa como derradeira ave, derradeiro sonho, que logo a tristeza amanhece e te leva de mim. Vem, antes que essa lágrima escorra... Vem assim, imperfeito e vasto, que são teus os meus dias, que é tua a minha espera. A tua ausência é esse frio que sopra, esse nada que, cotidianamente, me embala. Vem, que estar sem ti é caminhar a esmo por dentro de mim.

"Silent Wings" - Luís Lobo Hentiques
Escrito por Míriam Monteiro às 20h55
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E o Barco, volta a navegar... Embarcar nele, é ir ao encontro, nem sempre da paz, porque o mar nem sempre é calmaria. Há momentos em que as ondas fazem-se gigantescas, sacondem sonhos, tumultuam as areias adormecidas no fundo da alma de todos nós. Mas o Barco mantém-se firme, coração no leme. Noutras vezes, na maioria delas, essa Nau nos convida ao doce balanço das águas. E a música chama-nos a sonhar. Convida-nos a tecer redes para apanhar estrelas... Somos tentados, então, a ficar ali, não contemplando, mas, contemplados por um olhar cujo azul traduz a imensidão das águas. Profundeza de alma num olhar de pureza infantil. Um Barco que nos leva, enfim, a navegar dentro de nós...

"AllinBlue" - José Luis Mendes
Hoje, nenhuma palavra em mim. Em mim, esse silêncio de espera... Perdoa, amor, pois, em mim, só o teu silêncio. Fui buscar, então, entre os guardados, esse meu cantar antigo. Toma-o, pois também é teu.
A minha alma estilhaçada de esperas, espreita teus passos de silêncio Labirintos. A saudade morde, arranha, arde, naufragando as horas. Inútil poesia. As minhas rotas truncadas. A saudade destilada em inúteis versos. Silencio.

"After the Rain" - Victória Kuznets
Escrito por Míriam Monteiro às 18h59
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