Poema do Desalento
Entre silêncios, eu te pronuncio impreciso, sussurrando saudade ao vento. Inútil e aleijado vento, que não me leva e não te traz. Inútil tempo a arrastar-se em nadas, a transformar em cacos, delicadezas de mãos e dedos. Inútil desejo, repleto e premente de presságios e manhãs que não se fazem. Inútil palavra, sibilante serpente a destilar o venenoso sumo dos meus profanos e secretos medos.

"Red Love" - Kristian Hernstrcm
Escrito por Míriam Monteiro às 14h13
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Transito por meus vazios, a passos lentos. Arranho lembranças até que as pontas dos dedos sangrem imperfeitos versos, inúteis poemas. Mastigo saudades do que mal conheço, porque não vivi, mas senti. E senti tanto, que me fiz palavra, pluma e pedra bruta. A saudade é o cinzel que talha a minha poesia com os contornos da tua ausência.

"Toque" - Getty Image
Escrito por Míriam Monteiro às 14h01
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