Inútil
Arranhei a alma até que a tua ausência sangrasse meus poros. Tentei desconceber-te em mim, desguardar-te dos meus sonhos, desfazer os laços, desmistificar as trevas, desmentir segredos e desnudar os medos. E destrocei o peito, destilei venenos, desaguei mágoas e desabitei os sonhos. Inútil. Intacto e inteiro permaneces.

Cintilar - Paulo Castro
Reproduzo, aqui, um poema, presente do amigo querido Batista Filho, do Blog Ilha dos Mutuns - lugar onde a sensibilidade permeia todos os espaços e deixa a alma de quem por lá pousa, inebriada de Poesia. A você, Batista, o meu imenso carinho e amizade sempre. Muito Obrigada!
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
Memórias da pedra Para Mírian, com admiração.
A rua?! A mesma sem dúvida. Suas pedras passo a passo por nossos passos levemente desgastadas.
Passei passaste passamos. Só o tempo não passou ... ou passou tão devagarinho que mal e mal se percebe qualquer mudança de quando nossos pés pareciam voar quase nem tocar essas pedras tão minhas, tão tuas.
A lua, as estrelas?! As mesmas, sem dúvida. As noites?! Não, não são as mesmas... nem nós! Permanecem a rua e a música dos passos ecoando nas noites ... que parecem não passar.
Passei passaste passamos passo a passo.
Indeléveis as lembranças em mim, nas pedras e no brilho das noites claras (que iluminaram nossas vidas) como num sonho... que também passou.

Marcin Tomaszewski
Escrito por Míriam Monteiro às 14h08
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