Silêncio
Deixa-me assim, quieta e nua, que meus sonhos precisam de silêncios, de valsas dolentes, cantigas de embalar-me. Deixa-me assim, frágil e mínima, leve, fluida e aconchegada em mim, que o meu esperar-te tem um quê de desalento, de lágrima contida, de palavra parida em segredo. Para que teus olhos não amanheçam em mim, derramando meus medos, deixa-me assim, quieta e esquecida. Pois é no silêncio mais sagrado que te pronuncio, para que a noite não me mostre os rumos, e eu me perca de mim.

"Estranha Obsessão" - André Silva
Escrito por Míriam Monteiro às 18h32
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Poema Desabitado
Súbito, calou-se a voz e volátil, desfez-se o chão. Efêmero, faltou o ar, restando a vertigem de flutuar em ausências, de asas espraiando-se em nadas. Secou a improvável flor dos meus lábios, e adormeceram, no meu ventre, as tuas sementes. Líquida, anoiteço escorrendo versos de des-esperar os dias que serão jamais.

"Autoportrety" - Asieek Asienka
Escrito por Míriam Monteiro às 21h05
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Feita de Flor
Uma palavra feita de flor, de pétala nascente de poesia. Que ecoasse perene, que anoitecesse a saudade e amanhecesse meus olhos. Que rasgasse a pele dos dias e revelasse os ossos da espera. Que mastigasse inversos e desabrochasse em versos, metáforas perfeitas. Uma palavra tola, abrupta e inesperada, simples e absurda, que te trouxesse, que te chamasse, que saciasse, que redimisse. Uma palavra quase. Uma palavra tanto, uma palavra inteira.

"Small World" - Ralf Greiner
Escrito por Míriam Monteiro às 15h30
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