Desterro
Quero o teu verso à míngua, teus fragmentos de infinitos, a dilacerante melancolia de tuas marés em tácito silêncio. Quero a navalha do teu desejo, na minha carne viva, em brasa ardendo. Óbvio ou absurdo, náufrago de mim, eu te quero inteiro. Pois, onde faltas, eu transbordo e onde deserto, tu me habitas.

"Para Olga Gouveia" - Paulo Castro
Escrito por Míriam Monteiro às 14h43
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Poema Sussurrado
A lua entorna luzes noutra aurora, e o eco do teu nome ainda persiste. E reverbera nos silêncios dessas noites, incólume e impune, reverberas. Se sussurro o teu nome, faço versos. Se me calo, um rio de palavras me observa. Em torno de tua ausência, eu gravito e grávida de esperas, te observo. E, se és meu Porto de adeus, não importa. Ainda assim, persistes e eu sigo transbordando em versos, as nossas horas.

"Dancing In The Sky" - Luís Lobo Henrique
Escrito por Míriam Monteiro às 15h21
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Cumplicidade
Redutíveis ao mesmo significado, tu e eu. Engendramos em segredo, o mesmo pecado e nossos poros destilam o mesmo veneno. O teu desejo tem o meu cheiro e a minha saliva impregna a tua sede. Eu te concebi da matéria dos meus sonhos e tu me vestistes da ausência dos teus. Partilhamos da mesma descrença e persistimos, incólumes e cúmplices, nessa des-existência.

Abrazo - Jorge da Fonseca
Escrito por Míriam Monteiro às 20h59
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